Os doces bárbaros e as curvas da vida

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Quem anda pela Av. José Bonifácio, em Porto Alegre, já está acostumado a ver a tradicional fachada da Confeitaria Maomé, ao lado da Igreja Santa Terezinha. Pioneira no surgimento de um pólo gastronômico na região, a confeitaria nasceu em 1977, um ano antes do famoso Brique da Redenção e acompanhou, nas últimas quatro décadas, o crescimento do bairro Bom Fim.

Therezinha Harb, a fundadora, criou seus 5 filhos tocando o negócio, hoje administrado pelo filho Antônio. Originalmente, o espaço foi alugado para ser uma loja de materiais de construção, em sociedade com o marido Mohamad, mas os docinhos de Therezinha foram ficando famosos e atraindo os clientes.

Italiana de origem e sob a influência libanesa do marido, a matriarca foi se aprimorando na produção de doces bárbaros, que hoje são a marca registrada do local, onde também são servidos cafés – da marca Cafeeiro – chás, salgados e almoços.

Os doces bárbaros da Maomé acompanham muito bem o café

“No início, algumas amigas diziam que eu iria servir doces aos passarinhos da Redenção, pois não havia nada por aqui. Com a criação do Brique, essa passou a ser uma das regiões mais movimentadas da cidade. Nos domingos, é um verdadeiro festival humano”, observa a fundadora da Maomé.

Muito ativa e sempre com um sorriso no rosto, Therezinha segue trabalhando na confeitaria, supervisionando a compra dos ingredientes e recebendo os clientes fieis. Quebra os padrões da sociedade por continuar trabalhando, com muita energia, aos 91 anos.

“Não é a idade que nos impede de nada”, brinca. Ela acredita que o trabalho é sua fonte de energia para seguir em frente, mesmo com todos os obstáculos enfrentados ao longo da vida.

E dá uma linda lição aos mais jovens: “Nossa vida não pode ser horizontal. Para fazer sentido, tem de ter curvas, subidas e descidas. O importante é seguir em frente”.

Therezinha e o filho Antônio Harb, nos dias de hoje

Crowdfunding busca viabilizar biografia da fundadora do Maomé

Uma campanha de crowdfunding foi lançada recentemente para viabilizar a biografia da fundadora da Confeitaria Maomé. A família e os amigos acalentam o sonho de fazer uma biografia de Therezinha há muitos anos. O projeto é coordenado pela produtora cultural Inês Hubner – que já foi responsável pelo livro dos 30 anos da Escola Projeto – com pesquisa da historiadora Suzana Schilling. As informações sobre como colaborar estão no link www.benfeitoria.com/therezinhaharb . As doações podem ser feitas até 31 de dezembro e haverá uma série de benefícios para quem contribuir.

Confeitaria Maomé – Av. José Bonifácio, 655. Horário: de domingo a domingo, das 9h às 20h