Delivery: muita atenção e carinho com o consumidor

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Desde que a pandemia do Covid-19 se instaurou no Brasil, o isolamento social tornou-se uma realidade e, como consequência, cafeterias e restaurantes tiveram de fechar suas portas. Com isso, o segmento teve de se reinventar – encontrando outras formas de levar seus produtos e serviços até os clientes – para não ver seu faturamento despencar.

As modalidades delivery e take away viraram as principais alternativas, mesmo para quem não oferecia este tipo de serviço. E qualificação dos serviços – que sempre foi um dos principais diferenciais no ramo gastronômico – passou a ser uma exigência ainda maior.

Roger Klafke, consultor do Sebrae-RS e especialista em competitividade setorial, afirma que o delivery tem grande potencial. Segundo ele, pesquisa recente da consultoria Food Consulting mostra que 76% dos consumidores pediram algum tipo de tele-entrega de alimentaçãonos últimos 30 dias.

Para a consultora no segmento de alimentação Adriana Ferreira, quem já trabalhava com delivery está mais à vontade neste momento, por ter mais experiência com as rotinas de pré-preparo, organização, atendimento e entrega. “Mas quem está começando tem a oportunidade de começar certo, atendendo todas as exigências e normas higiênicas”, complementa.

Simplificação de cardápios

Os dois especialistas recomendam simplificação de cardápios neste momento de contingência. “O ideal é um cardápio mais enxuto, que consiga levar a experiência do seu restaurante ou café ao cliente”, analisa Roger. É importante cuidar com o excesso de informações, que podem confundir o consumidor. Menos é mais!

O Restaurante Terra & Cor Gastronomia Contemporânea, localizado no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, é um exemplo. Simplificou seu cardápio – antes um buffet com várias carnes, saladas e pratos quentes – para oferecer uma seleção de sugestões do chef, sempre com uma opção vegetariana e variações de a la minuta (fotos abaixo).

Formato semelhante fez o Restaurante Barcelos Gastronomia, tradicional buffet localizado no Clube do Comércio, em Porto Alegre, que manteve seus serviços na tele-entrega. Um cardápio diário com os mesmos pratos que eram oferecidos no buffet é ofertado ao cliente, que seleciona o tipo de carne, os acompanhamentos e a fruta (foto abaixo). Também é oferecido um prato fit com porção e valor reduzidos.

Boas práticas

A consultora Adriana recomenda usar literalmente tudo o que está escrito no Manual de Boas Práticas (que todo estabelecimento deve ter): cuidado no recebimento dos produtos, armazenamento dos alimentos, limpeza do ambiente e equipamento, lavagem das mãos dos colaboradores, cuidado com tempo e temperatura dos alimentos prontos e ao embalar.

“Também é importante organizar o local de trabalho, que deve estar bem arejado e com número reduzido de funcionários, usando máscaras e lavando sempre as mãos a toda troca de tarefas”, comenta.

Adriana também indica que seja enviado ao cliente um folder com dicas para o cuidado que o mesmo deve ter ao receber a alimentação, demonstrando cuidado durante todo o processo.

Adriana Ferreira é especialista em boas práticas

Carinho e experiência

No delivery, o visual faz muita diferença. Colocar junto ao pedido dicas de como saborear melhor seus produtos e recadinhos como “coloque a melhor toalha na sua mesa… use sua melhor xícara… se quiser adicione um pau de canela ou uma gotinha de licor ao café… mandar uma receitinha de calda para o bolo…”. Tudo isso, segundo Adriana pode fazer a diferença no encantamento de quem recebe um pedido.

“O maior desafio dos restaurantes e cafés, construídos e pensados cuidadosamente para oferecer uma experiência inesquecível ao consumidor, é traduzir essa experiência em uma entrega, na casa do cliente”, relata Roger.

Em um artigo denominado Keep Going, em sua rede social Linkedin, ele relata a iniciativa do Restaurante Espaço Tibet, de Três Coroas, que inovou ao levar uma experiência diferenciada para seus clientes neste período de quarentena.

Na Zona Sul de Porto Alegre, outra iniciativa louvável é do Sítio Canto Rural. O empreendimento, acostumado a receber turistas para o projeto Café na Hora (um café da tarde servido de forma bem caseira, após um passeio pelo sítio), viu seu movimento cair a zero com a pandemia. Os proprietários Noara e Gerson criaram então uma cesta que reproduz a experiência do café no sítio, com pão caseiro, queijo produzido no local, frutas colhidas na hora, suco natural, geleia e bolo caseiro. Tudo preparado com muito carinho pelo casal e entregue com segurança na casa do cliente.

Agilidade

A agilidade e pontualidade na entrega também são fundamentais para a construção de uma boa imagem no sistema de delivery e, principalmente, no take away.

Emanuelle Madeira, do Brio Coffee Stand, explica que entrega seus produtos no carro do cliente, em plena Rua 24 de Outubro, em Porto Alegre.  A Brio não aderiu a nenhum tipo de aplicativo, entrega somente para quem busca no balcão ou encomenda por telefone ou mensagem. Mas tudo foi pensado para atender da forma mais rápida possível os pedidos dos clientes. “O movimento caiu mas a procura pelo nosso cardápio continua”, analisa Emanuelle.

Acompanhamento especial para o café

Às vezes, tudo o que o cliente quer é um pão de queijo quentinho ou uma fatia de torta para lembrar os tempos das cafeterias abertas e aquecer a alma nestes tempos difíceis.  Pensando nisso, empresas como a Oca Tupi e Turquesa Confeitaria Artesanal estão oferecendo delivery dessas delícias.

A fábrica Oca Tupi, localizada em Canoas, já oferece pães de queijo sem glúten para várias cafeterias, além de farinha para tapioca e caldinhos congelados. Agora está levando esses produtos diretamente aos clientes. Os pães de queijo podem ser entregues assados ou congelados.

A Turquesa Confeitaria Artesanal leva tortas inteiras ou em fatias para quem não dispensa um café acompanhado de uma doçura. E toda terça-feira está oferecendo tele-entrega gratuita para estimular o consumo.

Por fim, a padaria Pane Di Nanni está levando pães, bolos e sua famosa pizza de sardinha caseira para o café da tarde da clientela.  

Estes são alguns exemplos de empreendimentos que estão se reinventando para sobreviver nestes tempos de crise. Como afirma o consultor Roger Klafke, vivemos um momento de grande desafio e muitas empresas terão de remodelar seus negócios. Mais do que comida e bebida, é hora de vender comunicação.