As diferentes classificações do café

0
180

Com frequência me perguntam sobre os diferentes tipos de café à disposição no mercado. Por isso, resolvi abordar um pouco essa diferenciação. Lembrando que não é somente o tipo de café que interfere no sabor final, o café é uma bebida cuja composição envolve plantio, colheita, torra do grão, moagem, método e, por fim, a mão do barista, que está preparando. Tudo contribui, até a temperatura da água. Um mesmo grão pode produzir bebidas muito diferentes, se tiver uma torra mais clara ou mais escura, uma moagem mais fina ou mais grossa, se for coado ou tirado em um método como o espresso, o aeropress ou chemex.

Tem gente que torce o nariz se o café não for especial. Para momentos de degustação, sem dúvida, o café especial proporciona a melhor experiência em todos os sentidos. Mas um café gourmet de boa qualidade, honesto e bem tirado, também pode cumprir sua missão de fazer aquela pausa para reenergizar no dia a dia.

Só não vale tomar aquele café com gosto de cevada, super torrado para disfarçar o gosto ruim e sem nenhuma certificação de qualidade. Esse você nem deve chegar perto.

Café gourmet x especial

Afinal, o que diferencia um café especial de um café gourmet? No Brasil, hoje há correntes diferentes, cada qual com sua argumentação. Vamos conhecê-las melhor:

No caso do café gourmet (encontrado em muitas cafeterias e distribuído também por algumas marcas em supermercados e conveniências), a classificação é feita pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), que todos os anos avalia amostras de 13 regiões produtoras. As amostras passam por uma avaliação com especialistas, utilizando a metodologia do PQC – Programa de Qualidade do Café ABIC. A nota mínima exigida é 7,3 na escala PQC. Os resultados dessas avaliações representam 90% da nota final e os demais 10% são de verificação de sustentabilidade nas propriedades produtoras. Depois dessa etapa, acontece o leilão online dos cafés vencedores e, finalmente, estes cafés são introduzidos no mercado com o selo ABIC.

Já os cafés especiais estão numa categoria superior. A classificação não é feita pela ABIC, mas por outra instituição: a Brazil Specialty Coffee Association (BSCA), entidade que busca apoiar os produtores no processo de certificação da qualidade do grão. As amostras são enviadas a degustadores escolhidos por sorteio e são avaliadas quanto ao tipo, cor, aspecto, peneira e torra. Somente se passar nestes quesitos, o café irá para a segunda etapa de teste – de grãos torrados e moídos.

Os grãos torrados e moídos são avaliados nos aspectos bebida limpa, doçura, acidez, corpo, sabor, gosto remanescente e balanço geral. Para ser certificado, o café deverá obter pontuação total maior do que 80 e em nenhum parâmetro igual a zero. A BSCA enviará os selos garantindo a rastreabilidade do processo de certificação.

Entendeu melhor agora? Os cafés passam por um GRID que vai do bom café até o especial, normalmente produzido em pequenos lotes. Mas isso é tema para outro texto.

Há ótimos cafés especiais e também bons cafés gourmet circulando por aí. Procure saber mais sobre o café que você bebe e siga degustando sua bebida preferida, da forma como lhe dá mais prazer.